POEMA O PATRIARCA JACÓ Poeta Raymundo Cortizo Perez, (Th.D.)

POEMA
O PATRIARCA JACÓ

Poeta Raymundo Cortizo Perez, (Th.D.)


 Introdução e Breve Biografia de Jacó

Jacó, cujo nome originalmente significa "aquele que segura o calcanhar" ou "suplantador", é uma das figuras mais complexas e fascinantes de toda a teologia bíblica. Filho de Isaque e Rebeca, e neto de Abraão, sua vida foi marcada por intensos conflitos familiares, fugas e uma busca profunda pela bênção divina. Ele não era o primogênito, mas, por meio de astúcia e determinação, adquiriu o direito de primogenitura de seu irmão Esaú.
No entanto, a teologia de Jacó não se resume à sua esperteza humana, mas sim à graça soberana de Deus, que escolhe o menor para confundir os grandes. Sua jornada ganha uma dimensão cósmica em dois momentos cruciais:
  1. O Sonho em Betel: Onde ele vê uma escada que une a Terra ao Cosmos (o trono de Deus), revelando que o Criador do universo se importa com o caminhar humano.
  2. O Combate em Peniel: Onde ele luta physically e espiritualmente com o próprio Deus (ou o Anjo do Senhor). Ao se recusar a soltá-lo sem receber uma bênção, sua identidade é transformada. Ele deixa de ser Jacó (o suplantador) para se tornar Israel ("aquele que luta com Deus").
O poema a seguir capta essa transição: o homem terreno que, sob as estrelas do deserto, toca o próprio infinito e descobre que o Deus da história é também o Senhor do Universo.

Epígrafe
"E sonhou: e eis uma escada posta na terra, cujo topo tocava nos céus; e eis que os anjos de Deus subiam e desciam por ela."
—
Gênesis 28:12

O Combate das Estrelas
Na noite escura, o homem só, deitado,
Olhava o teto azul do firmamento.
O chão de pedra era o seu leito amado,
E a sós com Deus mudava o pensamento.
Viu uma escada feita de infinito,
Que unia o pó da terra ao Sol sagrado.
O coro dos arcanjos, em um grito,
Cantava o plano eterno já traçado.
A voz do Deus que rege as galáxias
Desceu ao peito do fugaz mortal:
"Em ti farei brotar as novas vias,
Vencendo o tempo e todo o curso do mal."
Ao alvorecer, na margem do ribeiro,
Lutou com o Anjo em forte desespero.
Não era carne, era o Senhor do Império,
Que o transformou de servo a herdeiro!
Mudou-se o nome, a noite fez-se dia,
O cosmos viu nascer a profecia.

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