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O VALOR DAS SAGRADAS ESCRITURAS NA OBRA DE DEUS Deve-se estudar ou não? Prof. Raymundo Cortizo Perez, (Th.D.)

 O VALOR DAS SAGRADAS ESCRITURAS NA OBRA DE DEUS

Deve-se estudar ou não?

Prof. Raymundo Cortizo Perez, (Th.D.)

@poesiasdabiblia

Intrododução
Irmãos, sinto no meu coração a guia de Deus para compartilhar este pequeno trabalho na sã doutrina. Sabemos que a nossa fé não se baseia na sabedoria dos homens, nem na letra que mata, mas sim na virtude e na testificação do Espírito Santo, que dá vida a todas as coisas.
Todavia, o mesmo Espírito que nos conforta é Aquele que inspirou os santos homens do passado a escreverem as Sagradas Escrituras para o nosso ensino e aviso. O Senhor Jesus nos exortou a examinar as Escrituras, e os santos apóstolos nos deixaram o conselho de crescer não apenas na graça, mas também no santo conhecimento do Senhor.
É com este santo temor, e com o desejo de ver os servos de Deus cada vez mais aparelhados e esclarecidos no manejo da Palavra da Verdade — principalmente aqueles que têm a responsabilidade de anunciar a Palavra e exortar o povo — que apresento estes santos ensinamentos e estas poesias. Que Deus, por Sua infinita misericórdia, use estas linhas para despertar em nossos corações o zelo pelo Livro Santo, para que a nossa fé seja sempre bem firmada e a sã doutrina guardada até o fim.
Fundamentos Bíblicos do Santo Exame
1. O Espírito Santo Lembra o que Foi Lido e Guardado
O Consolador testifica e traz à memória os ensinamentos de Cristo. Mas, para que o Espírito traga algo à memória na hora da pregação ou do conselho, o servo precisa primeiro ter colocado essa Palavra para dentro do coração através da leitura e do exame santo.
  • “Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito.” (João 14:26)
2. A Ordem Divina para Crescer na Graça e no Conhecimento
A nossa caminhada na presença de Deus não pode ser estática. Da mesma forma que buscamos o sentimento e a virtude da graça de Deus, as Escrituras Sagradas nos ordenam, com igual peso, a crescer no santo conhecimento, para que não sejamos levados por ventos de doutrinas erradas.
  • “Antes crescei na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo.” (2 Pedro 3:18)
3. O Exemplo de Nobreza dos Bereanos
Os irmãos da igreja de Bereia receberam a palavra pregada por Paulo com muita avidez, mas não deixaram de examinar as Escrituras todos os dias para ver se as coisas eram de fato assim. A Palavra de Deus chama essa atitude de "nobre", mostrando que o exame do Texto Sagrado confirma e protege a verdadeira fé.
  • “Ora, estes foram mais nobres do que os que estavam em Tessalônica, porque receberam a palavra com toda a avidez, examinando cada dia as Escrituras se estas coisas eram assim.” (Atos 17:11)
4. Estar Aparelhado para Dar a Razão da Esperança
O ministério e a irmandade são frequentemente questionados por pessoas de fora ou por almas necessitadas sobre a nossa fé. O apóstolo Pedro ensina que devemos estar sempre preparados (aparelhados) para responder com mansidão e temor a qualquer um que pedir a razão da nossa esperança. Essa preparação exige conhecer a sã doutrina.
  • “Antes, santificai a Cristo, como Senhor, em vossos corações; e estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há vós.” (1 Pedro 3:15)
5. O Manejo da Palavra da Verdade para um Obreiro Aprovado
Para fazer a obra de Deus com zelo, eficácia e sem cometer erros no altar ou nas exortações, o obreiro precisa se apresentar a Deus aprovado, como alguém que maneja com retidão e clareza a Palavra da Verdade. O manejo correto pressupõe intimidade, tempo dedicado e atenção ao Livro Santo.
  • “Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade.” (2 Timóteo 2:15)
Poema I: O Obreiro Aprovado
Quem prega a sã doutrina / e o Evangelho ensina,
Não pode andar às cegas / na santa instrução.
A Bíblia é farol / de chama pura e fina,
Que exige do obreiro / estudo e devoção.
Maneje bem a Bíblia, / ó servo consagrado,
Pois Timóteo nos lembra / o zelo do dever:
Apenas o que estuda / será considerado
Obreiro sem vergonha, / que cresce no saber.
O povo pereceu / por falta de bom norte,
Pois faltou o saber / que cura e traz a vida;
Estuda, pois, a Lei, / irmão, com alma forte!
Anuncia a Palavra, / de forma esclarecida,
Que o mestre preparado / afasta a falsa sorte
E guia a sã igreja / à pátria prometida.
Poema II: O Sopro da Palavra e o Valor do Ensino
O Espírito de Deus, / que sopra onde quer,
Não age no vazio / ou na contradição;
Ele usa a Palavra / e acende a nossa fé,
Trazendo entendimento / ao nosso coração.
Apelo ao bom conselho / que Lucas registrou,
Falando dos bereanos / de mente mui sutil:
Eles ouviam o termo / que o mestre ensinou,
Mas iam examinar / o Texto que se abriu.
Se Pedro nos exorta / a sempre responder
A todo o que pedir / a nossa forte razão,
Como daremos conta / se nos falta o saber,
Negando a sã clareza / à nossa pregação?
Olhai para o passado, / no tempo de Esdras lá:
Lia-se o Livro Santo / perante a multidão,
E dando o sentido / que o texto sagrado dá,
O povo compreendia / com grande comoção.
A graça que nos guia / requer dedicação,
Pois o Senhor nos manda / crescer no Seu amor,
Mas junta o crescimento / à santa instrução:
Crescei na Sua graça / e no saber do Senhor!
O vento da Verdade, / que desce lá do céu,
Acende a boa lâmpada / que o servo preparou;
O Espírito ilumina / o texto que se leu,
E cumpre a sã promessa / que Cristo nos deixou.



A HISTÓRIA DE JACÓ E RAQUEL Poeta Raymundo Cortizo Perez, (Th.D.)

 O Decreto dos Anos

A HISTÓRIA DE JACÓ E RAQUEL
Poeta Raymundo Cortizo Perez, (Th.D.)
Nas tendas de Harã, // sob o olhar do Eterno,
O tempo se fez carne // e o amor, o mais interno.
Jacó viu em Raquel // a luz do próprio Ser,
Um rumo que a história // haveria de colher.
Sete anos foram dias // na dor da retidão,
Pois quem cultiva a alma // não teme a negação.
Mas o tempo é o cinzel // que molda a criatura,
E a fraude da partilha // trouxe a noite escura.
Mais sete anos de pranto, // de sol e de labor,
Provando que a existência // se firma na dor.
Não era só carne, // desejo ou afeição:
Havia um Deus regendo // a grande pulsação.
O Logos que sustenta // as eras no porvir,
Fez do sofrer da carne // o mundo ressurgir.
Duas almas ligadas // no nó do Criador,
Mudarão as nações // pelo peso do amor.
🏛️ Análise dos Elementos
  • O Lírico (O Sofrimento): O poema destaca a angústia da espera e a decepção do engano (os dois períodos de sete anos). O sofrimento não é em vão; ele é o motor que purifica o sentimento de Jacó.
  • O Teológico (A Presença de Deus): A narrativa vai além do romance romântico. Deus é o Logos e o Criador que rege a "grande pulsação". A união deles não é um acidente, mas um decreto divino para dar origem às tribos de Israel e, consequentemente, moldar a história humana.
  • O Ontológico (O Tempo e o Ser): O tempo é tratado como uma categoria filosófica ("o tempo se fez carne", "sete anos foram dias"). Há uma reflexão sobre como o Ser se realiza através da paciência e da existência concreta no mundo material.
Epígrafe
"E aconteceu que, saindo-se-lhe a alma (porque morreu), chamou o seu nome Benoni; mas seu pai chamou-o Benjamim. Assim morreu Raquel, e foi sepultada no caminho de Efrata; esta é Belém."
— Gênesis 35:18-19
Introdução
Se a primeira parte deste canto tratou da paciência ontológica, do mistério do tempo e da purificação pelo sofrimento nas tendas de Harã, esta segunda parte debruça-se sobre a culminação e o sacrifício desse amor na história.
O nascimento de José representa a resposta teológica ao clamor do Ser: a fertilidade que brota da aparente esterilidade, gerando aquele que moverá as engrenagens do mundo e salvará as nações da fome. Contudo, a marcha do tempo histórico exige o seu tributo trágico. É na estrada de Efrata (as franjas de Belém) que o lirismo atinge seu ápice doloroso. O parto de Benjamim torna-se o limiar onde a vida e a morte se tocam: Raquel parte, mas sua finitude dá lugar à perenidade de Israel. Sob a ótica filosófica, a morte de Raquel não é um fim absurdo, mas a transição ontológica onde o amor individual se sacrifica para que o destino da humanidade possa avançar pelas estradas da providência divina.
O Ventre e a Estrada (Segunda Parte)
Do ventre que era seco, // o Altíssimo lembrou,
E a noite do descrédito // em glória despertou.
Nasceu José, o sopro // de um novo alvorecer,
Que as dores do Egito // saberia vencer.
O tempo, esse monarca // de passos invisíveis,
Conduz os patriarcas // por vias temíveis.
Deixando para trás // o chão de Padan-Aram,
As almas, na promessa, // no mundo caminharam.
Mas na estrada de Efrata, // a angústia se fez luz,
No parto derradeiro // que à morte conduz.
Raquel, vertendo a alma // na terra de Belém,
Dá vida ao Benjamin // e o seu adeus também.
Jacó chora a agonia // do seu eterno par,
Na pedra que ergueu // para a eternizar.
Morreu a carne amada, // ficou a herança viva:
A história das nações // mudou-se na missiva.
🏛️ Análise dos Elementos Filosóficos e Teológicos
  • O Lírico (A Dor e a Perda): O sofrimento atinge o ápice no contraste entre a alegria por José e a tragédia na estrada de Efrata. O luto de Jacó, materializado no monumento fúnebre (a coluna sobre o túmulo de Raquel), eterniza a dor da perda do objeto amado.
  • O Teológico (A Providência e os Nomes): Deus age na memória ("o Altíssimo lembrou"). No momento da morte, Raquel chama o filho de Benoni ("filho da minha dor"), mas Jacó, sob a visão teológica da promessa, o renomeia Benjamim ("filho da mão direita"), transformando a tragédia em força para o futuro de Israel.
  • O Ontológico (Finitude e Transcendência): A morte na estrada é a representação da transitoriedade do Ser no espaço-tempo. Raquel morre como indivíduo, mas transcende como a grande "mãe de Israel". A geografia (Efrata/Belém) liga ontologicamente aquele sofrimento ancestral ao cenário onde, séculos mais tarde, a própria história da humanidade seria resetada pelo nascimento do Messias.

POEMA: O DECRETO E O SOPRO - Provérbios 16 do 1 ao 33. Poeta Raymundo Cortizo Perez, (Th.D.)

POEMA: O DECRETO E O SOPRO - Provérbios 16 do 1 ao 33.
Poeta Raymundo Cortizo Perez, (Th.D.)
Introdução Filosófico-Teológica
Provérbios 16 estabelece o paradoxo fundamental da existência humana: o homem é um ser que projeta, mas Deus é o ser que determina. Sob a ótica ontológica, o capítulo define a natureza do ser humano como intencional, porém contingente; existimos no ato de planejar, mas nossa realidade só se concretiza na vontade do Absoluto.
Sob a ótica teológica e bíblica, manifesta-se o conceito de Soberania Absoluta (Monergismo Providencial). O coração humano é o laboratório dos desejos, mas a palavra final pertence ao Logos. A justiça, o orgulho, a queda e a retidão são pesados na balança transcendental de Javé. Até mesmo o acaso aparente (a sorte lançada no colo) é despido de sua aleatoriedade e revelado como decreto divino. O capítulo é, portanto, uma ode à confiança e à submissão ao Deus que harmoniza o cosmos e a história.

Epígrafe
"O coração do homem traça o seu caminho, mas o Senhor lhe dirige os passos."
— Provérbios 16:9
Poema: O Decreto e o Sopro
I. O Tear do Pensamento (Versos 1-4)
No silêncio da mente o homem tece o plano,
Desenha o amanhã, molda o barro humano,
Mas a resposta certa, o verbo encarnado,
Vém do sopro eterno, do Trono sagrado.
Aos olhos da carne, o caminho é límpido e puro,
Mas o Senhor pesa o espírito no escuro.
Consagra os teus atos ao Deus do existir,
E teus pensamentos hão de subsistir.
O Senhor fez tudo para um fim perfeito,
Até o ímpio tem o seu dia eleito;
Nada escapa ao traço do Autor Primordial,
Que governa o tempo, o bem e o mal.
II. A Balança e o Orgulho (Versos 5-9)
Abominável ao Ser é o coração altivo,
Ainda que junte forças, não ficará vivo;
Mas pela misericórdia e a verdade sem véu,
Purifica-se a culpa sob o olhar do Céu.
Pelo temor do Senhor, o homem desvia do erro,
E quando o caminho agrada ao Deus do desterro,
Até os inimigos Ele faz pacificar,
E a paz do Altíssimo passa a reinar.
Melhor é o pouco com justiça na mesa,
Do que grandes rendas repletas de torpeza.
O homem projeta o passo que quer dar,
Mas é o Senhor quem faz o pé firmar.
III. O Trono e a Justiça (Versos 10-15)
Invocação divina há nos lábios do rei,
Na hora do juízo ele não nega a lei.
O peso e a balança justa pertencem ao Senhor,
Sua medida exata é o padrão do Criador.
Praticar a impiedade é o horror dos regentes,
Pois na estrita justiça os tronos são viventes.
Os lábios justos são o contentamento do trono,
O rei ama o homem que da verdade é dono.
O furor do monarca é mensageiro da morte,
Mas o homem sábio aplaca a sua sorte.
No brilho do seu rosto há vida e perdão,
Sua benevolência é chuva de verão.
IV. O Ouro do Saber (Versos 16-24)
Quão melhor é a sabedoria do que o ouro reluzente!
E o entendimento vale mais que a prata da mente.
A estrada dos retos é desviar-se do mal;
Quem guarda o seu caminho protege a alma mortal.
A soberba precede a ruína e o chão,
E a altivez do espírito antecede a queda em vão.
Melhor é ser humilde com os necessitados,
Do que repartir o despojo com os elevados.
Quem atenta para a Palavra acha o bem profundo,
E o que confia no Senhor é o mais feliz do mundo.
O sábio de coração será chamado prudente,
A doçura dos lábios aumenta o saber da gente.
O entendimento, para quem o possui, é fonte viva,
Mas o castigo dos tolos é sua própria estultícia cativa.
O coração do sábio ensina a sua boca,
E acrescenta doutrina à sua fala pouca.
Palavras suaves são como o favo de mel:
Doce para a alma, saúde para o corpo fiel.
V. O Labirinto das Veredas (Versos 25-30)
Há um caminho que ao homem parece direito,
Mas o seu final é a morte e o estreito.
A fome do trabalhador por ele mesmo trabalha,
Pois a sua boca o impele na batalha.
O homem ímpio cava o mal e o desterro,
Nos seus lábios há fogo que queima com erro.
O homem perverso semeia a contenda e a dor,
E o difamador separa os amigos do amor.
O homem violento alicia o seu vizinho,
E guia-o por um mau e tortuoso caminho.
Fecha os olhos para imaginar perversidades;
Ao morder os lábios, executa as impiedades.
VI. A Coroa e a Sorte (Versos 31-33)
Coroa de honra são as cãs da velhice,
Quando achada na justiça e longe da tolice.
Melhor é o que tarda em irar-se do que o valente,
E o que domina o seu espírito, do que o conquistador de gente.
A sorte é lançada no regaço e no pano,
Nenhum dado cai por capricho humano;
Pois até o acaso que parece correr,
Vem da decisão que o Senhor faz nascer.


 

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