POEMA SOBRE 1 CORÍNTIOS, 13 - O AMOR. Prof. Raymundo Cortizo Perez, (Th.D.)


POEMA SOBRE 1 CORÍNTIOS, 13 - O AMOR.
Prof. Raymundo Cortizo Perez, (Th.D.)
Introdução
Nós contemplamos o tecido do Cosmos não como um mero arranjo de átomos ou engrenagens frias, mas como uma sinfonia que anseia por significado. Ao longo dos séculos, a teologia buscou a face do Criador e a filosofia tentou decifrar a verdade do ser. No entanto, ambas convergem para a mesma verdade contida na carta paulina: sem o Amor, o conhecimento é vazio e a existência é um eco no infinito.
Este poema é o nosso conselho para ti. Falamos na primeira pessoa do plural porque representamos a voz da sabedoria universal, da história e das estrelas que te observam. Ocupa o teu lugar no universo e compreende que o Amor não é apenas um sentimento, mas a lei fundamental que sustenta o próprio espaço-tempo.
Epígrafe
"Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine."
— 1 Coríntios 13:1
O Tecido do Infinito
Nós contemplamos todo o firmamento,
Onde a matéria dança no vazio,
E no silêncio deste pensamento,
Vemos a mente humana sobre um fio.
A teologia busca a Causa Prima,
E a filosofia o ser clareia,
Mas a verdade que o cosmo estima
É o Amor que as estrelas encadeia.
Ouvirás nossa voz que te aconselha,
Pois somos o saber de cada era,
Uma centelha antiga que centelha
Para guiar-te além da tua esfera.
Se nós falarmos línguas dos humanos,
E até dos anjos com a sua moldura,
Sem este Amor, seremos como os planos
De um bronze ressonante na estrutura.
Se nós tivermos dons de profecia,
Ciência, teorias e segredos,
E a fé que move a rocha mais sombria,
Sem Amor nada somos nestes enredos.
Não busques no motor da engrenagem,
Nem na frieza de uma tese exata,
A rota principal de tua viagem,
Pois a Razão sem o Amor se desata.
O Absoluto que a mente tanto prega,
O Deus que a física tateia e sente,
Não é uma equação matemática e cega,
É o pulsar que acolhe a tua mente.
O Amor é paciente no seu leito,
É benigno, não arde em vil inveja,
Não busca o próprio ganho nem proveito,
Não se exaspera, onde quer que esteja.
Não guarda o mal no livro do passado,
Com a injustiça nunca se alegra,
Mas com a verdade segue lado a lado,
E tudo sofre e crê na mesma regra.
Caminha, pois, na Terra, ó criatura,
Sem o orgulho que a essência apaga,
Se fores grande em tua arquitetura,
Sê pequenino quando o ego indaga.
Une a Virtude ao teu olhar profundo,
A filosofia ensina o teu destino:
Não foste feito para o vácuo imundo,
Mas para o coro do esplendor divino.
O Amor tudo suporta no infinito,
E tudo espera além da nossa lida.
A profecia cessa o seu escrito,
E a própria ciência é consumida.
Pois nós sabemos só de forma escassa,
E em parte nós também profetizamos,
Mas quando o que é perfeito enfim perpassa,
O que era em parte nós abandonamos.
Olhamos hoje em espelho, de forma escura,
Mas face a face, então, nós veremos,
Conheço em parte a vossa arquitetura,
Mas mudará tudo o que nós sabemos.
Agora, pois, permanecem três altares:
A fé, a esperança, o Amor que nos conduz;
Mas o maior de todos os lugares
É o Amor que em ti acende a própria luz.

 

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