A HITÓRIA DE PEDRO, PESCADOR DE ALMAS Poeta Raymundo Cortizo Perez @poesiasdabiblia

A HITÓRIA DE PEDRO, PESCADOR DE ALMAS

Poeta Raymundo Cortizo Perez @poesiasdabiblia

EPRIGRAFE:

“A argila que se debate nas águas
foi feita rocha pelo sopro do Verbo.
Não porque a pedra fosse dura,
mas porque a mão que a lapidou
conhecia o segredo das tempestades e dos abismos.”

O PESCDOR DE HOMENS
As águas de Tiberíades conheciam o teu ritmo, Simão,
o peso do barco, o silêncio da noite,
a frustração das redes vazias que retornavam ao amanhecer.
Mas uma voz rasgou a brisa da Galileia:
“Faz-te ao largo”.
E o mar profundo já não era o mesmo.
Tu, que eras tempestade antes da calmaria,
o sopro impetuoso que agia antes de pensar,
viste o invisível caminhar sobre as ondas
e ousaste dar o primeiro passo fora da madeira segura.
Afundaste.
Não pela fúria do vento, mas pelo peso do visível.
Mesmo assim, a mão que sustenta o cosmos segurou a tua.
Pedra.
Não porque fosses inabalável,
mas porque serias lapidado pelo fogo do mistério.
Tu, que empunhaste a espada no jardim das oliveiras,
carregaste também o peso do silêncio no pátio do sumo sacerdote.
O galo cantou.
As lágrimas lavaram o teu rosto,
correndo como o Jordão em dia de cheia,
curvando a tua alma diante do abismo da própria fraqueza.
Mas o amor reconstrói o que o medo fragmenta.
Na praia, sob o aroma do peixe na brasa,
a pergunta ecoou três vezes, curando as três feridas:
“Tu me amas?”
E a rocha se firmou, não na própria força,
mas na graça daquele que tudo conhece.
Diante da Porta Formosa, onde o ouro dos homens reluzia,
um homem clamava por esmolas, preso à terra desde o ventre.
Tu não tinhas prata nem ouro para lhe dar, Pedro,
mas tinhas o que os palácios jamais puderam comprar.
Fixando os olhos nele, disseste: “Leva o que eu tenho”.
E no nome de Jesus Nazareno, ordenaste o impossível: “Levanta-te e anda”.
Os tornozelos vacilantes ganharam a firmeza da rocha,
e o templo testemunhou o salto da alegria, o milagre que transborda a arquitetura.
Nem mesmo as correntes de Herodes puderam conter o sopro.
No escuro da cela, entre guardas e correntes,
a luz de um anjo tocou o teu flanco.
As amarras caíram em silêncio,
e o ferro pesado da última porta, o portão da cidade,
cedeu sem o toque de mãos humanas,
abrindo-se sozinho diante de ti,
como as águas do mar que outrorbavam os teus passos,
porque o Reino não se tranca sob chaves de homens.
O lençol desceu do céu em Jope com o que consideravas impuro,
mas a voz do Alto te ensinou a não chamar de comum o que Deus santificou.
Na casa do centurião Cornélio, em Cesareia, as fronteiras ruíram.
O oficial romano inclinou-se, mas tu o levantaste: “Eu também sou homem”.
E enquanto falavas da remissão dos pecados, o Espírito soprou sobre os gentios,
derramando o fogo divino além das cercas antigas,
revelando que o coração de Deus não faz acepção de pessoas.
Agora, os teus pés não seguem mais os peixes,
eles calçam a sandália do Evangelho.
A sombra do teu corpo cura os enfermos nas praças,
as tuas palavras abrem as portas do Reino,
e o teu sangue, vertido de cabeça para baixo em Roma,
revela que o servo não é maior que o seu Senhor,
mas que a eternidade se alcança
quando nos esvaziamos de nós mesmos.
POESIAS DA BÍBLIA
Poeta Raymundo Cortizo Perez • @poesiasdabiblia
📜 Especializado em poemas e poesias bíblicas.
⏳ Um trabalho para toda a vida.
🤍 Influenciando com amor e propósito.

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