Poeta Raymundo Cortizo Perez, (Th.D.)
Introdução Filosófico-Teológica
Provérbios 16 estabelece o paradoxo fundamental da existência humana: o homem é um ser que projeta, mas Deus é o ser que determina. Sob a ótica ontológica, o capítulo define a natureza do ser humano como intencional, porém contingente; existimos no ato de planejar, mas nossa realidade só se concretiza na vontade do Absoluto.
Sob a ótica teológica e bíblica, manifesta-se o conceito de Soberania Absoluta (Monergismo Providencial). O coração humano é o laboratório dos desejos, mas a palavra final pertence ao Logos. A justiça, o orgulho, a queda e a retidão são pesados na balança transcendental de Javé. Até mesmo o acaso aparente (a sorte lançada no colo) é despido de sua aleatoriedade e revelado como decreto divino. O capítulo é, portanto, uma ode à confiança e à submissão ao Deus que harmoniza o cosmos e a história.
Epígrafe
"O coração do homem traça o seu caminho, mas o Senhor lhe dirige os passos."
— Provérbios 16:9
Poema: O Decreto e o Sopro
I. O Tear do Pensamento (Versos 1-4)
No silêncio da mente o homem tece o plano,
Desenha o amanhã, molda o barro humano,
Mas a resposta certa, o verbo encarnado,
Vém do sopro eterno, do Trono sagrado.
Desenha o amanhã, molda o barro humano,
Mas a resposta certa, o verbo encarnado,
Vém do sopro eterno, do Trono sagrado.
Aos olhos da carne, o caminho é límpido e puro,
Mas o Senhor pesa o espírito no escuro.
Consagra os teus atos ao Deus do existir,
E teus pensamentos hão de subsistir.
Mas o Senhor pesa o espírito no escuro.
Consagra os teus atos ao Deus do existir,
E teus pensamentos hão de subsistir.
O Senhor fez tudo para um fim perfeito,
Até o ímpio tem o seu dia eleito;
Nada escapa ao traço do Autor Primordial,
Que governa o tempo, o bem e o mal.
Até o ímpio tem o seu dia eleito;
Nada escapa ao traço do Autor Primordial,
Que governa o tempo, o bem e o mal.
II. A Balança e o Orgulho (Versos 5-9)
Abominável ao Ser é o coração altivo,
Ainda que junte forças, não ficará vivo;
Mas pela misericórdia e a verdade sem véu,
Purifica-se a culpa sob o olhar do Céu.
Ainda que junte forças, não ficará vivo;
Mas pela misericórdia e a verdade sem véu,
Purifica-se a culpa sob o olhar do Céu.
Pelo temor do Senhor, o homem desvia do erro,
E quando o caminho agrada ao Deus do desterro,
Até os inimigos Ele faz pacificar,
E a paz do Altíssimo passa a reinar.
E quando o caminho agrada ao Deus do desterro,
Até os inimigos Ele faz pacificar,
E a paz do Altíssimo passa a reinar.
Melhor é o pouco com justiça na mesa,
Do que grandes rendas repletas de torpeza.
O homem projeta o passo que quer dar,
Mas é o Senhor quem faz o pé firmar.
Do que grandes rendas repletas de torpeza.
O homem projeta o passo que quer dar,
Mas é o Senhor quem faz o pé firmar.
III. O Trono e a Justiça (Versos 10-15)
Invocação divina há nos lábios do rei,
Na hora do juízo ele não nega a lei.
O peso e a balança justa pertencem ao Senhor,
Sua medida exata é o padrão do Criador.
Na hora do juízo ele não nega a lei.
O peso e a balança justa pertencem ao Senhor,
Sua medida exata é o padrão do Criador.
Praticar a impiedade é o horror dos regentes,
Pois na estrita justiça os tronos são viventes.
Os lábios justos são o contentamento do trono,
O rei ama o homem que da verdade é dono.
Pois na estrita justiça os tronos são viventes.
Os lábios justos são o contentamento do trono,
O rei ama o homem que da verdade é dono.
O furor do monarca é mensageiro da morte,
Mas o homem sábio aplaca a sua sorte.
No brilho do seu rosto há vida e perdão,
Sua benevolência é chuva de verão.
Mas o homem sábio aplaca a sua sorte.
No brilho do seu rosto há vida e perdão,
Sua benevolência é chuva de verão.
IV. O Ouro do Saber (Versos 16-24)
Quão melhor é a sabedoria do que o ouro reluzente!
E o entendimento vale mais que a prata da mente.
A estrada dos retos é desviar-se do mal;
Quem guarda o seu caminho protege a alma mortal.
E o entendimento vale mais que a prata da mente.
A estrada dos retos é desviar-se do mal;
Quem guarda o seu caminho protege a alma mortal.
A soberba precede a ruína e o chão,
E a altivez do espírito antecede a queda em vão.
Melhor é ser humilde com os necessitados,
Do que repartir o despojo com os elevados.
E a altivez do espírito antecede a queda em vão.
Melhor é ser humilde com os necessitados,
Do que repartir o despojo com os elevados.
Quem atenta para a Palavra acha o bem profundo,
E o que confia no Senhor é o mais feliz do mundo.
O sábio de coração será chamado prudente,
A doçura dos lábios aumenta o saber da gente.
E o que confia no Senhor é o mais feliz do mundo.
O sábio de coração será chamado prudente,
A doçura dos lábios aumenta o saber da gente.
O entendimento, para quem o possui, é fonte viva,
Mas o castigo dos tolos é sua própria estultícia cativa.
O coração do sábio ensina a sua boca,
E acrescenta doutrina à sua fala pouca.
Palavras suaves são como o favo de mel:
Doce para a alma, saúde para o corpo fiel.
Mas o castigo dos tolos é sua própria estultícia cativa.
O coração do sábio ensina a sua boca,
E acrescenta doutrina à sua fala pouca.
Palavras suaves são como o favo de mel:
Doce para a alma, saúde para o corpo fiel.
V. O Labirinto das Veredas (Versos 25-30)
Há um caminho que ao homem parece direito,
Mas o seu final é a morte e o estreito.
A fome do trabalhador por ele mesmo trabalha,
Pois a sua boca o impele na batalha.
Mas o seu final é a morte e o estreito.
A fome do trabalhador por ele mesmo trabalha,
Pois a sua boca o impele na batalha.
O homem ímpio cava o mal e o desterro,
Nos seus lábios há fogo que queima com erro.
O homem perverso semeia a contenda e a dor,
E o difamador separa os amigos do amor.
Nos seus lábios há fogo que queima com erro.
O homem perverso semeia a contenda e a dor,
E o difamador separa os amigos do amor.
O homem violento alicia o seu vizinho,
E guia-o por um mau e tortuoso caminho.
Fecha os olhos para imaginar perversidades;
Ao morder os lábios, executa as impiedades.
E guia-o por um mau e tortuoso caminho.
Fecha os olhos para imaginar perversidades;
Ao morder os lábios, executa as impiedades.
VI. A Coroa e a Sorte (Versos 31-33)
Coroa de honra são as cãs da velhice,
Quando achada na justiça e longe da tolice.
Melhor é o que tarda em irar-se do que o valente,
E o que domina o seu espírito, do que o conquistador de gente.
Quando achada na justiça e longe da tolice.
Melhor é o que tarda em irar-se do que o valente,
E o que domina o seu espírito, do que o conquistador de gente.
A sorte é lançada no regaço e no pano,
Nenhum dado cai por capricho humano;
Pois até o acaso que parece correr,
Vem da decisão que o Senhor faz nascer.
Nenhum dado cai por capricho humano;
Pois até o acaso que parece correr,
Vem da decisão que o Senhor faz nascer.
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