O TECIDO DO TEMPO E DA FÉ (DE ABEL A PAULO)
Poeta Raymundo Cortizo Perez,
Epígrafe
"Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não veem."
— Hebreus 11:1
Introdução
Olhar para a história humana através da lente da teologia e da cosmologia é perceber que o universo não é governado pelo acaso, mas por uma sinfonia invisível. Cada personagem deste poema representa um ponto de inflexão na grande linha do tempo. Eles começaram como pessoas comuns, imersas em suas limitações físicas, na poeira de estradas esquecidas ou no silêncio de dores crônicas. No entanto, ao exercerem a fé, eles romperam a barreira do tempo linear e passageiro (Chronos) para tocar a eternidade viva de Deus (Kairos). Esta poesia celebra a audácia de crer: o ato sagrado que reorganiza o caos e transforma o destino do mundo.
O TECIDO DO TEMPO E DA FÉ (DE ABEL A PAULO)
No vasto cosmos que o Senhor criou,
O tempo corre em fluxo circular,
Mas a centelha que o mortal guiou
É a firme fé que faz o mundo andar.
O tempo corre em fluxo circular,
Mas a centelha que o mortal guiou
É a firme fé que faz o mundo andar.
Abel primeiro, em sua prontidão,
Deu o melhor do fruto do seu chão;
O sangue clama além da antiga era,
Primeiro marco da fiel espera.
Deu o melhor do fruto do seu chão;
O sangue clama além da antiga era,
Primeiro marco da fiel espera.
Noé, ouvindo a voz do Criador,
Moldou madeiras contra o céu azul;
Cingiu a terra de um sagrado amor,
E sobre as águas navegou ao sul.
Moldou madeiras contra o céu azul;
Cingiu a terra de um sagrado amor,
E sobre as águas navegou ao sul.
Chamado fora, Abraão partiu,
Olhou as estrelas, o infinito viu;
Pai de nações no tempo que avança,
Tornou-se o molde vivo da esperança.
Olhou as estrelas, o infinito viu;
Pai de nações no tempo que avança,
Tornou-se o molde vivo da esperança.
E Moisés, no deserto árido e nu,
Venceu o mar, a fúria do tirano;
Guiou o povo sob o manto azul,
Mudando a rota do destino humano.
Venceu o mar, a fúria do tirano;
Guiou o povo sob o manto azul,
Mudando a rota do destino humano.
Até Raabe, em Jericó sitiada,
Pela janela a corda estendeu;
Mulher comum, na história resgatada,
No fio escarlate a vida protegeu.
Pela janela a corda estendeu;
Mulher comum, na história resgatada,
No fio escarlate a vida protegeu.
À beira do caminho, em Jericó,
Bartimeu cego e pobre a clamar;
Gritava por Jesus em meio ao pó,
Pois sabia que a luz ia voltar.
Bartimeu cego e pobre a clamar;
Gritava por Jesus em meio ao pó,
Pois sabia que a luz ia voltar.
"Filho de Davi, tem pena de mim!",
Rompeu a multidão que o censurou;
O mestre ouviu o apelo assim:
"Vai em paz, a tua fé te salvou!"
E a mulher que a vida definhava,
Doze anos de sangria e de dor,
Na orla do vestido que tocava,
Sentiu o fluxo estancar pelo amor.
Doze anos de sangria e de dor,
Na orla do vestido que tocava,
Sentiu o fluxo estancar pelo amor.
No Chronos da doença sem saída,
O toque da virtude a resgatou;
Jesus olhou a alma revivida:
"Filha, vai, a tua fé te salvou!"
O Centurião, romano em sua voz,
Disse: "Uma palavra bastará" ;
Sua grande fé, mais alta entre nós,
Mostrou que a cura logo operará.
Disse: "Uma palavra bastará" ;
Sua grande fé, mais alta entre nós,
Mostrou que a cura logo operará.
Zaqueu subiu na árvore a clamar,
Deixou a usura e a traição de lado;
A salvação entrou em seu lar,
O homem velho foi regenerado.
Deixou a usura e a traição de lado;
A salvação entrou em seu lar,
O homem velho foi regenerado.
Arimatéia, em nobre discrição,
Cuidou do corpo do Senhor Jesus;
Deu seu sepulcro em santa devoção,
Unindo a história à glória da cruz.
Cuidou do corpo do Senhor Jesus;
Deu seu sepulcro em santa devoção,
Unindo a história à glória da cruz.
E o ladrão que ao lado padeceu,
Naquela cruz de dor e de agonia,
Olhou o Cristo e o céu reconheceu:
"Lembra-te de mim no Teu dia!"
Naquela cruz de dor e de agonia,
Olhou o Cristo e o céu reconheceu:
"Lembra-te de mim no Teu dia!"
No último suspiro do pecado,
A eternidade o homem alcançou;
Por um olhar de fé foi resgatado:
"Hoje mesmo no Paraíso estou!"
Na densa névoa da manhã bem cedo,
Madalena chorava junto ao chão;
Onde estava o Senhor? Sentia medo,
Olhando o túmulo na escuridão.
Madalena chorava junto ao chão;
Onde estava o Senhor? Sentia medo,
Olhando o túmulo na escuridão.
Mas uma voz chamou o nome dela,
E o cosmos inteiro se iluminou;
"Raboni!", exclamou a alma bela,
A testemunha que a morte aplacou.
Primeira a ver o mestre renascido,
O luto em santa glória se desfez;
Anunciou o Cristo ressurgido,
Mudando o rumo do tempo outra vez.
E Paulo, enfim, na estrada do Damasco,
Caiu ao solo sob a forte luz;
De perseguidor a vaso consagrado,
Levou ao mundo o nome de Jesus.
Caiu ao solo sob a forte luz;
De perseguidor a vaso consagrado,
Levou ao mundo o nome de Jesus.
O tempo passa, o cosmos se contrai,
Mas quem confia na promessa santa,
Ao Deus eterno clama: "Aba, Pai!",
E sobre a história a sua voz levanta.
Mas quem confia na promessa santa,
Ao Deus eterno clama: "Aba, Pai!",
E sobre a história a sua voz levanta.
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Este texto reúne uma epígrafe bíblica, uma introdução teológica e cosmológica sobre a fé, um poema longo que percorre figuras bíblicas fundamentais — como Abel, Noé, Abraão, Moisés, Raabe, Bartimeu, Madalena e Paulo — e uma reflexão final que analisa a evolução dessa jornada espiritual através dos tempos. A poesia e o ensaio exploram como a fé atua rompendo as barreiras do tempo linear para transformar a realidade histórica.
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