Poeta Raymundo Cortizo Perez, (Th.D.)
Epígrafe
"O coração com saúde é a vida da carne, mas a inveja é a podridão dos ossos."
— Provérbios 14:30
Introdução
A inveja não é um mero deslize moral; na cosmologia bíblica e na filosofia teológica, ela se apresenta como uma força metafísica destrutiva que corrompe a própria estrutura do ser. Desde os primórdios da criação, quando o solo bebeu o sangue de Abel, até o ápice da história bíblica, onde o Justo foi entregue por puro despeito às mãos dos algozes, a inveja opera como o caruncho da alma.
Este poema busca traduzir a dor lírica e a gravidade teológica desse afeto amargo. Através do rigor dos versos decassílabos, propõe-se uma reflexão que une o tormento íntimo do invejoso — que definha diante do bem alheio — à grande tragédia histórica e espiritual narrada nas Escrituras.
Poema: O Mal da Inveja
No chão do mundo, a força mais sombria
Não nasce da fraqueza que denota,
Mas desse olhar que seca a sesmaria
E faz da própria vida uma derrota.
Não nasce da fraqueza que denota,
Mas desse olhar que seca a sesmaria
E faz da própria vida uma derrota.
Na Criação, o sangue consagrado
De Abel clamou da terra ao Criador;
Caim, por seu ciúme amargurado,
Tornou-se o pai do crime e do terror.
De Abel clamou da terra ao Criador;
Caim, por seu ciúme amargurado,
Tornou-se o pai do crime e do terror.
José, vendido por seus próprios pais
(Pois seus irmãos não viam sua luz),
Provou que os laços mudam-se em punhais
E o brilho de um eleito nos conduz.
(Pois seus irmãos não viam sua luz),
Provou que os laços mudam-se em punhais
E o brilho de um eleito nos conduz.
E Saul, que o trono defendia,
Olhava para o jovem vencedor,
Crescendo em fúria a cada melodia,
Refém do próprio medo e desamor.
Olhava para o jovem vencedor,
Crescendo em fúria a cada melodia,
Refém do próprio medo e desamor.
Até Miriã, na pressa do deserto,
Moisés tentou julgar e rebaixar;
A lepra veio logo, em pranto aberto,
Mostrar que Deus a todos vai julgar.
Moisés tentou julgar e rebaixar;
A lepra veio logo, em pranto aberto,
Mostrar que Deus a todos vai julgar.
No topo da história, o Verbo Santo,
Entregue por inveja ao tribunal,
Sofreu na cruz o escárnio e o quebranto,
Vencendo, por amor, o mestre do mal.
Entregue por inveja ao tribunal,
Sofreu na cruz o escárnio e o quebranto,
Vencendo, por amor, o mestre do mal.
A carne se corrompe no pecado,
Tiago nos avisa o seu fulgor;
Quem vive na contenda, amordaçado,
Distante fica do eterno amor.
Tiago nos avisa o seu fulgor;
Quem vive na contenda, amordaçado,
Distante fica do eterno amor.
Que a alma se dispa da vaidade,
E caminhe na luz, sem opressão,
Buscando a mais perfeita caridade,
Que cura o osso e salva o coração.
E caminhe na luz, sem opressão,
Buscando a mais perfeita caridade,
Que cura o osso e salva o coração.
.jpeg)
Nenhum comentário:
Postar um comentário