
Poeta Raymundo Cortizo Perez, (Th.D.)
EPÍGRAFE
“No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.”
— João 1,1
No princípio era a Palavra, e a Palavra
se fez livro de fogo e de silêncio,
página aberta sobre o abismo antigo
onde o Espírito pairava sobre as águas.
Ela fala de um Deus que cria com o sopro,
que separa luz das trevas, céu da terra,
e chama o homem do pó para a aliança.
Sua cosmologia não é mapa frio,
mas narrativa sagrada: o cosmos nasce
da vontade livre, da ordem amorosa
que sustenta estrelas e o coração humano.
Teologicamente, ela revela o Santo
que se aproxima, que padece e resgata,
que escreve a lei no monte e a graça na cruz.
Filosoficamente, confronta o vazio,
ensina que o ser tem origem e destino,
que a verdade não é sombra de cavernas,
mas luz que ilumina a busca do sentido.
Assim ela guia o povo que caminha
pelo deserto e pelas cidades turbulentas:
lanterna para os pés, caminho no escuro,
voz que corrige, consola e chama à justiça.
Direciona não com cadeia, mas com chamado,
não com domínio cego, mas com libertação
que transforma o exílio em esperança viva
e faz de cada geração herdeira da promessa.
Livro de séculos, ainda hoje ressoa:
cosmo ordenado, Deus que se revela,
homem chamado a responder com fé e obras.
E o povo que a escuta encontra direção
nas páginas que não envelhecem,
porque nelas o Eterno continua a falar.
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