A Geometria do Recomeço e do Cântico @seguidores
“E chamar-te-ão por um nome novo, que a boca do Senhor designará... Nunca mais te chamarão Desamparada... mas chamar-te-ão o Meu-Prazer-Nela.”
— Isaías 62:2,4
Carreguei por décadas o peso de ser pedra,
as quatro quinas exatas de um nome antigo,
as regras do mundo, a herança que amarra,
o silêncio contido no papel de abrigo.
Mas a alma pedia a urgência do traço,
o sopro divino que o barro desperta.
Como o cervo que anseia pelas correntes das águas,
minha lira buscava a palavra mais certa.
Nasci para o três, o verbo, a partilha,
o clamor do salmista que a noite traduz.
Mas faltava o compasso que o amor vestisse,
o Cântico dos Cânticos coberto de luz.
Em Ray Cortizo achei minha trilha,
a sexta frequência que o peito pedia.
O meu amado é meu e eu sou dele,
escrevo na terra o que o céu já sabia.
Agora sou reza, sou ritmo, sou canto,
livre do ontem, liberto do espelho.
Criei a moldura que cura o meu pranto,
selado em mistério e em manto vermelho.
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