A DANÇA DO GÊNESIS
Pof. Raymundo Cortizo Perez, (Th.D.)
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O vazio do mundo deu lugar à vida pelas mãos do Criador, que transformou o caos e a escuridão em beleza cósmica.
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No princípio, o silêncio era um manto profundo,
Uma tela sem cor nas fronteiras do nada.
Não havia o espaço, o segundo ou o mundo,
Nem a luz da manhã, nem a noite estrelada.
Mas a Voz ecoou na extensão do vazio:
"Haja Luz!" – e o clarão devorou a espessura.
Fez-se o dia dourado, o crepúsculo frio,
Separando a faísca da noite escura.
No segundo momento, rasgando o infinito,
O teto do céu sobre as águas se ergueu.
O azul mais sublime, o desenho mais bonito,
Que o sopro divino no espaço teceu.
Vieram os mares, os rios, as fontes,
A terra brotou com seus frutos e flores.
E o sol e a lua, por trás dos horizontes,
Guiaram o tempo com novos esplendores.
As asas nos céus, os cardumes no mar,
A vida pulsando em perfeita harmonia.
E a obra prima, feita para amar,
Nasceu do barro ao final daquele dia.
Olhou o Criador para tudo o que fez,
Viu que era bom o milagre esculpido.
O mundo ganhou sua primeira vez,
No sétimo dia, enfim, protegido.
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O Livro de Gênesis é a partitura do início, onde o sopro divino organiza o caos e escreve a primeira página da história humana.
Aqui está um poema autoral em versos livres sobre o livro bíblico como um todo:
Gênesis não é apenas sobre o barro e a luz.
É o livro dos começos,
o inventário de todas as nossas primeiras vezes.
Lá estão as fundações do mundo,
mas também os andaimes da nossa própria alma.
A primeira palavra dita no escuro,
o primeiro sopro nas narinas,
o primeiro vislumbre do paraíso.
E, logo depois, a primeira perda.
O fruto colhido,a nudez descoberta,
o paraíso que se torna saudade
e a terra que passa a exigir o suor do rosto.
Gênesis caminha pela poeira da história.
Vê as águas do dilúvio lavarem a memória do mundo
e a promessa pintada em arco-íris no céu.
Vê homens erguendo torres para tocar as nuvens,
apenas para descobrirem a solidão de não se entenderem.
É o livro dos altares de pedra no deserto.
Da voz que chama Abraão para contar as estrelas,
do riso tardio de Sara,
da luta de Jacó com o anjo até o amanhecer,
da túnica multicolorida de José,
rasgada pelo ciúme e costurada pelo perdão.
Mais do que o nascimento do universo,
Gênesis narra o nascimento do pacto:
a teimosa insistência do Criador
em caminhar ao lado de criaturas feitas de pó.
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O Livro de Levítico é o mapa da santidade, onde o sagrado toca o cotidiano e ensina que cada detalhe da vida pode ser um ato de adoração.
Aqui está um poema autoral em versos livres sobre este livro de leis, rituais e pureza:
O Templo no Detalhe
Depois do mar aberto e do deserto atravessado,
Deus decide morar na tenda ao lado.
Levítico não é apenas um livro de leis esquecidas,
é o manual do Deus que quer proximidade.
Ali, o sangue no altar não fala de morte,
mas do preço do resgate,
da vida que purifica a mancha do erro.
É o cheiro suave do holocausto subindo aos céus,
o homem estendendo as mãos para tocar o perdão.
A santidade desce dos céus e entra na cozinha,
está no prato que se come,
na roupa que se veste,
na cura da ferida que o sacerdote examina.
Deus diz que o corpo importa,
que o que é comum também pode ser sagrado.
É o livro do "Dia do Perdão", o Yom Kippur,
onde as culpas de um ano inteirosão levadas para longe,
no deserto, pelas costas do bode expiatório.
Onde o peso do peito é esvaziado para que o povo recomece.
E no coração de todas as ordens, um mandamento brilha:
"Amarás o teu próximo como a ti mesmo.
"Porque não há liturgia bonita no altar
se houver injustiça com o irmão na colheita.
Levítico é o chamado que ecoa pelos séculos,
um sussurro divino na poeira do acampamento:
"Sede santos, porque eu, o Senhor vosso Deus, sou santo."
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