"A partir de hoje, assumo publicamente a identidade que reflete a verdadeira essência da minha alma, da minha escrita e do meu destino. Deixo de lado as amarras do passado para me doar inteiramente à arte, à palavra sagrada e ao afeto. Muito prazer, eu sou Ray Cortizo."
Ray Cortizo (1954) é poeta, cronista do afeto e um dedicado estudante da sensibilidade lírica e espiritual. Encontrando sua maior inspiração nas profundezas da poesia bíblica — do misticismo dos Salmos ao romantismo sagrado de Cântico dos Cânticos —, ele sintoniza sua escrita com a busca pelo amor em suas formas mais elevadas. Após uma vida inteira dedicada à construção de bases sólidas, despiu-se das formalidades do nome de batismo para abraçar a sua verdadeira missão: fazer da palavra um altar onde o amor humano e o divino se encontram, guiado pelo compasso venusiano e pela beleza da criação.
Por Ray Cortizo
EPÍGRAFE:
“E chamar-te-ão por um nome novo, que a boca do Senhor designará... Nunca mais te chamarão Desamparada... mas chamar-te-ão o Meu-Prazer-Nela.”
— Isaías 62:2,4
Carreguei por décadas o peso de ser pedra,
as quatro quinas exatas de um nome antigo,
as regras do mundo, a herança que amarra,
o silêncio contido no papel de abrigo.
Mas a alma pedia a urgência do traço,
o sopro divino que o barro desperta.
Como o cervo que anseia pelas correntes das águas,
minha lira buscava a palavra mais certa.
Nasci para o três, o verbo, a partilha,
o clamor do salmista que a noite traduz.
Mas faltava o compasso que o amor vestisse,
o Cântico dos Cânticos coberto de luz.
Em Ray Cortizo achei minha trilha,
a sexta frequência que o peito pedia.
O meu amado é meu e eu sou dele,
escrevo na terra o que o céu já sabia.
Agora sou reza, sou ritmo, sou canto,
livre do ontem, liberto do espelho.
Criei a moldura que cura o meu pranto,
selado em mistério e em manto vermelho.
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>Este é um mergulho na própria estrutura da existência. Unindo a ontologia (o estudo do ser), a cosmologia (a ordem do universo), a filosofia e a lírica, o Salmo 23 deixa de ser apenas uma prece de conforto e passa a ser o canto do próprio tecido da realidade, onde o "Pastor" é a força motriz e sustentadora do Cosmos.
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Por Ray Cortizo
EPÍGRAFE:
"O Senhor é o meu pastor; nada me faltará. Ele me faz repousar em pastos verdes... e guia-me pelas veredas da justiça por amor do seu nome."
— Salmo 23:1-3
O Vazio não tem voz, mas o Ser se pronuncia:
No princípio era o Verbo, o Pastor da Matéria.
Ele tece a expansão, a mecânica séria,
E o nada se curva à Sua geometria.
Se o Absoluto me rege e sustenta o meu traço,
Eu sou plenitude. Nada me falta no espaço.
Em campos de antimatéria e poeira estelar,
Ele deita o meu corpo, argila e mistério.
Conduz minha mente ao silêncio mais sério,
Nas águas primeiras, no eterno fluir do mar.
Restaura-me o Ser, a centelha esquecida,
Pintando em minh'alma os caminhos da vida.
Ainda que eu caminhe na dobra do tempo,
No vale escuro onde a morte espreita o vivente,
Não temo a entropia que apaga a mente,
Pois Tua presença é constante no vento.
Teu cajado é a lei que governa a distância,
Tua vara sustenta o real da ilusão da substância.
Preparas uma mesa diante do caos,
À vista do abismo que tenta o meu norte.
Unges minha fronte com o óleo mais forte,
Meu cálice transborda acima dos maus.
O Cosmos conspira, em seu giro perfeito,
Para derramar Sua graça em meu peito.
Bondade e misericórdia são leis do Destino,
Seguirão meus passos enquanto houver luz.
E na Casa do Tempo, que ao Eterno traduz,
Habitarei como nota de um hino divino.
Pois o Senhor é o Pastor que o universo conduz,
E em Sua estrutura, o meu ser se reluz.
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O Giro do Tempo (Meditação sobre o Eclesiastes)
Por Ray Cortizo
EPÍGRFE:
"Deus é a geometria pura que sustenta o vazio; o Pastor que impede que a matéria desabe de volta ao nada."
— Ray Cortizo, Meditações do Ser
Vaidade das vaidades, tudo passa,
O vento sopra e volta ao seu lugar.
A terra permanece em sua graça,
E o homem nada leva além do mar.
Que lucro tem o ser no seu trabalho,
Que faz debaixo do solar clarão?
Geração vai e vem como o orvalho,
E tudo no final é ilusão.
O sol levanta e logo se escondeu,
Voltando ao lugar onde vai nascer.
O rio corre ao mar que Deus encheu,
Sem nunca o vasto mar emudecer.
Há tempo de nascer e de morrer,
Há tempo de plantar e de colher,
Há tempo de chorar e de sorrir,
Há tempo de abraçar e de partir.
O que já foi é o mesmo que se faz,
Não há novidade sob o céu.
A ciência traz a dor que desfaz,
E o sabio morre igual ao que perdeu.
Do pó viemos, ao pó vamos voltar,
O sopro volta a Deus, que o emanaria.
Aos olhos do Pastor que vai guiar,
A vida é um segvedo que se fia.
Ver me
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